O padeiro e o sábio
Um belo dia, um plebeu entra na casa de seu irmão, o padeiro da cidade. Em seguida, seu irmão lhe pergunta:
— O que houve, rapaz? Por que essa pressa?
— É que o rei mandou que me decapitem.
— Mas o que você fez para ele fazer isso?
— Eu vinha tendo um caso com a princesa, escondido. Você tem que me salvar, meu irmão, POR FAVOR.
— Calma. Como eu faço os pães para o rei, eu vou até lá para conversar com ele e aproveito e lhe levo um pão de presente. Fique calmo.
— Esse é o meu irmãozão!
E lá foi o padeiro tentar salvar a pele de seu irmão. Chegando no reino, o rei lhe pergunta:
— O que queres, padeiro?
— Sua majestade, eu vim em defesa de meu irmão, pedir ao senhor que não o mate, pois isso que houve é coisa de jovens e eu prometo não acontecer nunca mais.
— Então aquele safado é seu irmão. Vou fazer o seguinte: você vai duelar com o sábio da corte e, se ganhar, seu irmão está salvo, mas, caso contrário, morrem os dois.
Então o padeiro aceitou o desafio e foi duelar com o sábio da corte. Mas o duelo era somente com mímicas, não se podia falar nada.
E mímica pra cá, mímica pra lá, depois de algum tempo o sábio desiste e o padeiro vai para casa feliz da vida.
Então o rei, desesperado, pergunta ao sábio o que foi dito naquele duelo de mímicas, pois ele não havia entendido nada.
— Bem, majestade, primeiro eu lhe mostrei uma maçã, que é o símbolo do amor, mas aí ele me mostrou o pão, pois foi com ele que Cristo matou a fome do povo. Então eu lhe mostrei um dedo, simbolizando o nosso DEUS, e ele me mostrou dois dedos, dizendo que haviam dois deuses: PAI e FILHO. Foi então quando eu lhe mostrei três dedos, simbolizando que são três deuses: o PAI, o FILHO e o ESPÍRITO SANTO. Mas foi aí que eu perdi, majestade, pois ele sorriu para mim e mostrou a mão girando, simbolizando que todos dominam o mundo. Então eu achei melhor desistir.
Enquanto isso, na casa do padeiro...
— Meu irmão, meu irmão, você já pode ir, você está salvo.
— Mas como você fez isso?
— Eu só tive que bater um papo lá com o sábio da corte fazendo mímicas, foi moleza.
— E como foi esse papo, meu irmãozão?
— Primeiro ele disse que me jogava uma maçã na cara, então eu disse que quebrava o pão na cabeça dele. Depois ele disse que enfiava um dedo no meu cú e eu disse que enfiava dois no dele. Então ele ficou nervoso e disse que me enfiava três dedos no rabo, e então eu disse pra ele:
— Aééé, então eu te enfio a mão toda, seu VIADÃO.
