O deputado
O deputado, depois de vários mandatos e sempre enganando o povo, vem a falecer. Logicamente foi para o inferno. Lá chegando, ficou admirado: era uma festa enorme, várias mulheres bonitas de cú de fora, muita bebida, tudo farto. Mas depois de alguns dias, depois de curtir bastante, ficou curioso: ora, se o inferno era assim, imagine o céu. Se dirigiu ao demônio, que se apresentava com boa aparência, sorridente e atencioso, e disse o seguinte:
— Seu demônio, eu tô a fim de dar um tempo lá no céu e ver como estão as coisas por lá.
O demônio de imediato concordou:
— Fique à vontade, as portas estão sempre abertas. Querendo voltar, estaremos lhe aguardando.
O deputado foi para o céu. Lá chegando, pôde verificar que era um tremendo marasmo, tudo muito sossegado, maior silêncio, as mulheres todas bem vestidas, sérias, comportadas, não havia bebidas, não tinha festas. O deputado passou a sentir maior tédio: porra, isto aqui é uma merda, vou voltar para o inferno, lá que é bom, muita putaria, nunca bebi e fudi tanto. E o diabo disse que, quando eu quisesse voltar, as portas estariam abertas.
Voltou para o inferno e, com a intimidade que tinha com o demônio, foi logo entrando. Porém, mal acabou de entrar, escutou as portas se fechando, um cheiro de enxofre enorme. Quando procurou as mulheres, estas haviam desaparecido, a bebida havia acabado, as pessoas implorando por um gole de água, pessoas sendo torturadas e aqueles gritos estridentes de dor e ranger de dentes. Tudo havia se transformado. Tentou retornar ao céu, mas imensos portões estavam fechados.
Se dirigiu ao demônio e lhe perguntou o que havia acontecido com aquele clima de festa, as mulheres, bebidas etc. O demônio respondeu o seguinte:
— Quando o senhor esteve aqui, nós estávamos em época de eleição, mas, como nós ganhamos, voltou tudo o que era antes.
