Dor e vergonha
Um senhor todo arranhado, com cara de triste, entra num buteco e diz:
— Por favor, me vê duas pingas!
— Pois não, senhor — retruca o garçom.
— Pela dor (toma o primeiro copo), pela vergonha (e toma o segundo copo).
O garçom não pôde deixar de reparar no jeito exótico do rapaz brindar e indaga-lhe:
— Desculpe-me, mas posso saber por que brindas "pela dor e pela vergonha"?
— Tudo bem, agora não tem mais nada que me envergonhe. Sabe é que de domingo eu costumava tomar sol pelado no quintal de casa, lendo jornal, eis que hoje, como de costume, fui fazer o mesmo. No meio da leitura, uma brisa faz com que meu jornal saia voando, e eu, mais do que depressa, fiquei de quatro para pegá-lo. Nisto o São Bernardo do vizinho vem e come...
Nisto o garçom corta e indaga:
— Que vergonha!
E o rapaz retruca:
— Não, não, esta foi a dor; a vergonha foi sair engatado com ele por toda a vizinhança...
