Boca santa
Um certo dia, um bêbado, como de costume, volta para casa após mais um dia de cachaçada. Ao entrar no ônibus, se depara com um casal de namorados no maior amor, e decidiu sentar-se logo atrás do casal apaixonado para apreciar a cena. E as frescuras do casal então começavam.
— Ai, ai, ai, amor, tá doendo — dizia a namorada pro namorado.
— Onde, amor? — dizia ele.
— Aqui na pontinha do meu nariz — dizia ela.
Então ele, todo carinhoso, beijava a região dolorida.
— Passou, amor? — perguntou o namorado, e ela dizia que sim, toda melosa.
E o bêbado observava com atenção.
Aí o casal começava novamente:
— Ai, ai, ai, amor, tá doendo — dizia a namorada pro namorado.
— Onde, amor? — dizia ele.
— Aqui na pontinha do meu dedo — dizia ela.
Então ele, todo carinhoso, beijava a região dolorida.
— Passou, amor? — perguntou o namorado, e ela dizia que sim, toda melosa.
E o bêbado, com muita atenção, observava.
E o casal continuava:
— Ai, ai, ai, amor, tá doendo — dizia a namorada pro namorado.
— Onde, amor? — dizia ele.
— Aqui na minha orelhinha — dizia ela.
Então ele, todo carinhoso, beijava a região dolorida.
— Passou, amor? — perguntou o namorado, e ela dizia que sim, toda melosa.
Então o bêbado, já tocado de tanta frescura, levantou-se subitamente e, meio cambaleando, perguntou pro namorado:
— Ô boca santa, tu curas hemorroida?
