Saiba como identificar um viado
O viado é um espécime emergente, em franca evolução.
Antigamente não se ouvia falar em tantas variações semânticas, mas hoje tem apelido para todo tipo de viado.
Vejamos:
— Boiola: é um viado mais moderno. Pratica surfe, aeróbica, vive com óculos na testa, finge que namora a coleguinha de turma, frequenta pagode, mas, no fim da noite, dá uma passadinha no bingo pra botar a cartela em dia.
— Viado: esse é o mais antigo e tradicional de todos. Fala com voz desafinada e a língua entre os dentes, costuma virar os olhos enquanto fala e desmunhaca sempre. Tem cinco variações: vidinho, viadaço, viadão, viado-filho-da-puta e o mais antigo e tradicional deles: o viado-velho.
— Bicha: é o viado mais rampeiro que existe, daqueles que fedem a mijo e usam calça corsário com tamanco. Suas duas variações mais conhecidas são: bicha-louca, que é um misto de viado com maluco, e bicha-nojenta, que é aquela que trabalha com agente.
— Gay: é o viado metido a intelectual, alegre, mas que dá o rabo igualzinho aos demais de criatividade. Fala de sexo anal o tempo todo e costuma pregar que buceta só tem fama; bom mesmo é cu.
— Boneca: é a mais fêmea dos viados, a que gostaria de ser chamada de "viada", por ser no feminino. Na realidade, ela se acha a própria menina e sonha com casamento. O único problema é que, como toda boneca, tem sempre a bunda mal feita.
— Fruta: é aquele viado meigo, frágil, branquinho, pálido, com gestos graciosos e delicados. Geralmente é ou foi criado pela vovó, jogando bola de gude no carpete, ou, na pior das hipóteses, é aquela "filha" que a mãe não pôde ter e foi criado usando camisolinha rosa e laço de fita no cabelo desde pequeno. Geralmente só dá o rabo mediante solicitação, pois é extremamente tímido.
— Baitola: é a bicha nordestina. Normalmente, é um fio-duma-égua bem abestado que nasceu florzinha e se mudou pro sul maravilha (Rio ou São Paulo, onde sempre cabe mais um) pra fazer saliência bem longe da família, se não o pai mata na pexeirada.
— Pedestra: é um viado em desuso. Teve sua vez na época dos grandes bailes do Municipal. Hoje, a bunda murchou, apareceram as varizes, virou um lixo!!!
— Homossexual: é o viado discreto, enrustido. Em geral, é rico e se casa para camuflar suas atividades. Paga bem e pede discrição. Frequenta muito o proctologista e é capaz de trair a mulher com o próprio cunhado garotão, em troca de emprestar o carro. Às vezes, sofre de crise existencial e cai em depressão. Mas nunca se arrepende. Aí, também já é pedir demais, né, santa?
— Meigo: é o viado que você nunca tem certeza de que é realmente viado. Você desconfia pelos seus gestos e trejeitos, porém, se você souber que ele não é viado, você não iria ficar tão decepcionado. Ele deixa dúvidas. Quando você acha que um cara é meio viado mas não tem certeza, chame ele de meigo, porque é a abreviatura de meio gay.
— Colírio: esse é o viado que ninguém imagina que é. Fala como homem, se veste com homem, anda como homem, coça o saco, pode ser casado e ter até filhos, compra revista Playboy e comenta "meu Deus, que mulher gostosa", costuma ser inflexível quanto a odiar os homossexuais e, se fosse possível, mandaria matar todos sob tortura (pode ser uma maneira de eliminação da concorrência através de uma ação inconsciente). Chama-se colírio porque, se aparecer uma oportunidade de se relacionar com outro homem sem que ninguém saiba, vai pra cama, dá tanto o rabo que tem que passar colírio (Moura Brasil ou similar) no olho do cu, de tão ardido que fica. Dizem que, quando o colírio (Moura Brasil ou similar) é pingado no anel de couro ainda quente, chega a fazer TSSSSSSSSSSS, e a bicha abre logo uma cerveja. Quando você quer chamar alguém de viado e não quer que ele desconfie, diga assim: "Esse aí tem cara de quem usa colírio!"
