Os milagres
Um pastor chegou a uma cidade do interior com a fama de fazer milagres.
Chegando à cidadezinha, logo montou um altar com uma cortina preta ao fundo.
Depois de fazer o culto e colher os donativos para a sua igreja, chamou um dos fiéis:
— Você! Venha, irmão.
E um aleijado chegou perto do pastor andando em duas amuletas. O pastor lhe perguntou:
— Irmão, como se chama e o que houve com você?
— Meu nome é Joaquim e eu tive paralisia quando bebê e até hoje estou assim.
E o pastor lhe disse:
— Então fique atrás da cortina que hoje você sai daqui andando, sem as amuletas.
Para trás da cortina foi Joaquim. Depois chamou outro dos fiéis:
— Venha você, irmão!
E quando o fiel chegou bem próximo a ele, percebeu que não tinha nenhum defeito físico, então lhe disse:
— Irmão, você não tem defeitos.
Antes mesmo de chamar outro do povo, o fiel lhe disse com uma voz bem fanha:
— Pêra aê, mêu nome êh Manüel i êeum soum fã_nhu, êeum quero fâla que nêm todos.
E o pastor lhe disse:
— Então, Manoel, fique lá com o Joaquim que você sairá daqui falando perfeitamente.
Após outros sermões, de percorrer novamente a sacolinha, o pastor pronunciou-se:
— Irmãos, esperem para ver a maravilha que o Senhor fará agora. Joaquim? Jogue a 1ª amuleta.
E assim fez Joaquim. O povo ajoelhou-se e houve aquele murmúrio:
— Ohhhhhhhhhhh!
E o pastor:
— Calma, irmãos. Joaquim? Jogue a 2ª amuleta.
E assim fez Joaquim, por cima da cortina caiu a 2ª amuleta. E o povo ajoelhado soltou aquele brado:
— É um milagre, irmãos! MILAGRE!!!!!!
E o pastor:
— Vocês ainda não viram nada, irmãos. Escutem a voz da perfeição. Manoel? Fale bem alto alguma coisa.
E o Manoel, falando mais fanho do que antes, disse:
— Ôhhh Juaqüim Câiummm!!
