O caipira e o fiscal do Ibama
O fiscal do Ibama foi atender a uma denúncia anônima lá nos grotões de Minas, onde só se chegava a pé. Depois de meio dia de caminhada e chegando lá, se deparou com o denunciado, um matutu dos mais rústicos já vistos, fumando um cigarrim de palha. Aí cumprimentou:
— Bom senhor...
— Dia.
— O nome do senhor é...
— Inzé. E o que é que ocê qué?
— É só uma pesquisa. Soube que o senhor tem dado uns tiros por aqui?
— É, tem sim, só uns tirim.
— Soube que o senhor tem matado uns passarinho.
— É, tem sim.
— Muitos?
— Uns piriquitim, uns gavionzim, umas cirieminha, uns juacuzinho, uns passarin de nada.
— De verdade?
O caipira chama o filho e disse:
— O fio, trais lá as cabecinha dos passarinho pra mode de o môsso aquerditar.
Aí o menino trouxe um saco cheio de cabeça de passarinho e derrama nos pés do fiscal, que fica transtornado com a quantidade, anota na multa e pergunta novamente:
— O senhor já matou algum outro bicho por aqui?
— Só uns viadinho, uns tatuzim, umas paquinha e umas capivarinha, uns bichim de nada.
Aí o fiscal, pasmo com tudo aquilo, diz:
— Não tô acreditando no que tá falando.
— Trais lá, fio, as cabecinha dos bichim pra mode o môsso aquerdita.
Quando o menino derrama um saco cheio de cabeça de animais silvestres no pé do fiscal, que, atordoado com aquela situação e anotando tudo, faz a última pergunta:
— Senhor José...
— É Inzé.
— Senhor Inzé, por acaso algum fiscal do Ibama tem aparecido por aqui?
— Há muitos anos atrais, sô.
— Não tô acreditando.
— O fio, trais lá as duas cabecinha dos fiscais lá pro môsso aquerdita...
O fiscal saiu em disparada e o matutu, coçando a cabeça, resmunga:
— Gente mais doida, sô. Num aquerdita em nada e quando a gente pode prová, ês nunca nem vê...
