Nocaute
Um nobre estava no Rio de Janeiro e queria ir até a ilha de Paquetá. Chegando na praia, tinha um barqueiro que fazia transportes até a ilha. O nobre, por sua vez, disse:
— Ô da margem! Quantas remunerações pecuniárias cobrar-me-ias para transportar-me deste continente até aquele hemisfério!
O barqueiro, meio analfabeto, indagou:
— Cimitério!
O nobre, enraivecido, falou:
— Caro colega! Se procuras menoscabar minha autoprosopopeia, saibas que dou-te um chaco em tua massa goga que te deixo mais horizontal que um solopátrio; entretanto, transformarei tua caixa craniana em cadavéricas putrefatas massas encefálicas com a minha circunfláutica força, metafórica, metafísica bengala com a qual nocauteá-lo-ei!
O barqueiro falou:
— Chi, dotô! Num sei si vai cabê tanta genti no meu barquim não!
