Lei de Lavoisier
Em época de eleição, o candidato foi visitar os matutos atrás de um votinho. Chegando no mato, foi até uma casa, onde encontrou o matuto sentado num tronco de pau. O candidato começou a falar com o matuto, disse muita coisa que o matuto não sabia, e uma delas foi a lei de Lavoisier, e disse ao matuto, nesse mundo:
— Nada se cria, nada se perde e tudo se transforma.
O matuto disse:
— Dr., num entendi.
— Vou lhe explicar, preste atenção: você é um matuto, não é?
— É.
— Então você morre, colocam você em caixão, depois se faz o velório, seus conhecidos levam você para o cemitério e lá enterram, colocam a terra em cima do caixão. Tempos depois nasce um pé de capim em cima da cova do matuto, então eu digo: olhe, o matuto está se transformando. Depois vem um boi e come aquela torceira de capim, mastiga e engole. No outro dia o boi defeca as fezes e cai aquela grande prastada de fezes, que parece um bolo bem grande, aí eu chego e olho aquela prastada e digo:
— Como o matuto mudou.
O matuto olhou para o doutor e disse:
— Deixou vê se eu intendi — disse para o Dr.
— O siô é um dr., né?
E o doutor respondeu:
— Sou.
E o matuto continuou:
— O siô morre, seus amigos botam o siô num caxão, levam pro sumitero e interra o siô no buraco e cobre de terra. Tempos depois nasce um tocerão de capim, aí vem um boi e come aquele capim, no ôto dia o boi caga aquela prastadona de merda. Aí eu óio aquela prastada de merda e digo: coitado do dr., num mudou nadinha, tá merma coisa.
