É óbvio
Em uma escola pública de uma cidadezinha lá no interior, onde ricos e pobres estudavam juntos, a professora estava dando uma aula sobre o óbvio. O que é uma coisa óbvia? O que está claro, sabemos realmente que é assim!
Depois da aula, ela questiona os alunos para saber se entenderam a lição:
— Primeiro, o menino rico...
— Alberto Montêz, por favor, me diga vagarosamente o que você entendeu sobre óbvio.
— Professora, hoje eu acordei com a empregada dizendo: "Vamos, Albertinho, já está na hora!". Levantei, calcei minhas pantufas ainda de pijama, desci as escadas, fui até a cozinha, onde estava a mesa cheia de comida, mamãe terminava de preparar meu chocolate quente. Fui até a janela, olhei para o jardim e logo ao lado vi o BMW de papai. Então pensei: é óbvio que papai foi trabalhar de Mercedes.
— Agora é a vez do menino de classe média...
— Muito bem, Alberto. Agora é sua vez, Henrique, vamos depressa, por favor, que eu tenho que passar adiante, já vi que ficou tudo entendido.
— Professora, hoje eu acordei com um barulho enorme dos mosquitos me mordendo. Desci da cama, pisei no meu irmão, pois dormimos em uma cama beliche, calcei minhas havaianas, fui até a cozinha, onde estava mamãe esquentando o café. Depois de comer meu pão com mortadela básico de todos os dias, fui até a janela ver como estava o dia, dei de cara com o fusquinha de papai. Então pensei: é óbvio que o fusquinha está quebrado e papai foi trabalhar de ônibus.
— Agora o mais pobre de todos...
— Bonzinho, Henrique. Washington Luiz, é a sua vez, vamos logo com isso, não tenho tempo a perder, vamos, vamos.
— Professora, hoje eu acordei com o barulho danado do meu vizinho espancando a mulher no barraco do lado. Eu tava com uma vontade de mijar, levantei descalço assim mesmo, fui até a cozinha, onde estava mamãe mexendo nas panelas pra ver se achava alguma coisa pra cozinhar pra eu comer. Então fui até a porta, abri e lá vinha vovó com um jornal velho debaixo do braço. Então pensei comigo: é óbvio que vovó tava cagando, até porque vovó não sabe ler.
