Coração de pai
Dois mineiros muito machos se encontram, depois de muitos anos sem se ver.
— Mas que prazer, cumpadi! Como vai a vida?
— Firme, cumpadi. E o sinhô? Como vai a cumadi e os fiinho?
— A cumadi tá bem, e os fiinho viraro fião. E dão um trabaio, cumpadi! Meu mais véio virô esse tar de homissexual. E num dianta a mãe chorá, eu brigá. Ele nem dá bola. Mas outras coisa ele gosta de dá. E dá, cumpadi. Dá, dá, dá o di interim.
O outro ficou penalizado:
— Mas que desgosto, cumpadi!
— E o pió é que o fio do meio si dexo infruenciá. E quando junta os dois, ninguém segura. E eles dá, cumpadi. Dá, dá, dá o di interim!
— Uai, cumpadi, eu tô muito sentido. É muita dor prum coração de pai! E o caçula?
— Ah, eu e a patroa mandemo ele pra casa da vó, em Bel Zonte, pra ficá longe das infruencia. Lá ele fez novas amizade. Inté viro atreticano. E só dá se beber.
— Menos mar, né cumpadi?
— O pobrema é qui o bichim bebe, cumpadi. Bebe, bebe, bebe o di interim!
