Cerca nova
Certo dia, Joãozinho estava com seu pai arrumando a nova cerca da fazenda, que tinha uns quinze fios de arame farpado, cinco só debaixo da terra, nem tatu passava. E Joãozinho então foi na cidade comprar uma máquina fotográfica daquelas mais caras, daquelas que você tira a foto e corre pra sair junto. Então comprou, levou pra fazenda, arrumou o pessoal da família que nem botão de camisa, um atrás do outro, pôs a máquina em um tronco de árvore, clicou e correu pra poder sair junto na foto. Pra que, rapaz? Aquilo foi como se tivesse visto um touro: aquele pessoal se pôs naquela cerca de uma maneira que era fiapo de camisa pra um lado, orelha enrosca em outro, foi lindo de ver. E então ele começou a gritar:
— Volta, pessoal, volta!
Foi então que o pai dele disse:
— Se você, que conhece o bichinho, tá correndo de medo dele, imagine a gente, que não conhece.
