Bombril
Depois de tomar todas e mais algumas, o bêbado fica parado na porta do buteco quando vê passar na rua uma procissão a caminho da igreja.
O bêbado, sem saber direito o motivo de toda aquela gente, fica curioso e resolve entrar no meio da multidão.
Chegando à igreja, os fiéis entram para terminarem suas orações e assistirem à missa. O bêbado, sem entender nada, também entra e se senta junto a umas velhinhas.
O cara pra lá de Bagdá não dava sossego pra ninguém, ficava gritando, falando palavrões e xingando todo mundo.
O padre, sem saber o que fazer, chama o coroinha e pede para que ele lhe traga um pedaço de bombril, dizendo que iria dar um jeito no bebum.
No momento da comunhão, as pessoas formam fila para receber a hóstia, e lá vai o cachaceiro novamente entrando na fila.
Quando chega a hora de o bebum receber o pão sagrado, o padre pega o bombril e soca na boca do pingaiada, que volta para o seu lugar mascando aquilo.
Quando se senta, fica indignado por não conseguir engolir e pergunta à velhinha ao seu lado:
— Ô dona, que diabos é esse negócio que me deram para comer aqui?
A velhinha, inconformada, responde:
— Não, você tem que ficar quietinho, meu filho, esse aí é o corpo de Cristo!
E o bebum:
— Pô, sacanagem, tinham que me dar justo os cabelos do saco!!!!!
