Aconteceu na aduana de Jaguarão
Aconteceu na aduana de Jaguarão.
No ano de 1995, estava muito movimentada a Ponte Internacional Mauá, com um trânsito muito grande de caminhões com destino a Montevidéu, Uruguai, e, entre tantos caminhões, muitos se aproveitavam para passar mercadorias clandestinas, com isso eliminavam uma carga de imposto. Os guardas de fronteira reuniram-se e resolveram dar duro na passagem desses caminhões.
E foi assim que aconteceu: todo caminhão que passava era revistado nos mínimos detalhes.
O primeiro a ser pego foi um caminhoneiro do Paraná que estava carregado de banana, mas com toda a documentação irregular.
Os guardas perguntaram para ele quem estava mandando essa carga irregular.
O caminhoneiro negou-se a responder, dizendo que não sabia de nada.
Os guardas, já cansados desse tipo de coisa, levaram o caminhoneiro para uma peça na aduana e resolveram torturar o indivíduo.
— ¿Diga, brasilero, de dónde viene esta carga?
— Não sei, só sei o que está escrito na nota...
— ¿Yo quiero saber, quién mandó? Lo que está escrito en la nota no vale nada.
O caminhoneiro continua a dizer que não sabe de nada, e o aduaneiro, muito irritado, deu de mão num cacho de bananas, escolhe a maior banana:
— Bueno, brasilero, ud. me va a decir lo que está pasando, si no te voy a meter una banana en el culo.
— Já disse que não sei.
O aduaneiro começou a enfiar a banana na bunda do caminhoneiro e perguntava:
— ¿Me vas a contar o no?
Nisto o caminhoneiro começou a rir de se dobrar, e o aduaneiro já estava na segunda banana, puto da cara, e perguntava:
— ¿Qué pasó, que te matas en la risa?
O caminhoneiro, cada vez ria mais, de chorar, e falou:
— Eu tô rindo não é porque tá doendo, eu tô rindo é da carga irregular de abacaxi que o mineirinho tá trazendo.
Régis Bardini
Jaguarão, RS
