A dor de dente
Lá em uma cidade do interior da Paraíba, em Mossoró, tinha um cidadão com uma dor de dente daquelas que só de bater o vento o cara já chora, e o cidadão estava lá gemendo (ahi, ahi, ahi) e meu cumpadi chega lá e, vendo aquele sofrimento, diz:
— Vamos levar ele para o dentista.
Aí a criançada já colocou meu cumpadi em uma carriola de roda de madeira e levou ele para a beira da rodagem para pegar um ônibus da Viação Nordeste e ir para a capital. Chegando lá na capital, o meu cumpade era analfabeto e tinha que subir uma escada com mais ou menos uns 100 degraus, e ele subiu gemendo: ahi, ahi, ahi. E chegando lá ele viu uma fila com umas 50 pessoas e outra com 2 pessoas, e ele falou:
— Vou naquela que só tem duas!
E lá ele na fila, gemendo pra cacete. A fila era de proctologista, aqueles médicos que gosta de escavogar boga de gente.
Os dois indivíduos que estavam na fila falou:
— Vamos dar a vez a ele, que eu já vi tudo quanto é tipo de hemorroida, mas de pia é a primeira.
E o outro fala:
— E a minha que é de botão, não posso ver um frasco de catchup que já me borro todo, então vamos dar a vez.
Entrando na sala, o médico logo calça as luvas e diz:
— Esse deve estar quase morto.
E começa:
— Pressão no turbo ok, óleo de âmbio ok, disvira aí — diz o proctologista. — Meu, eu já escavouguei boga de todo mundo dessa região e nunca vi um boga zero km.
E meu cumpade diz:
— Doto, o poblema não é aí não, doto.
— Então é aonde?
— É no dente.
— Mas você me deixa meia hora cutucando seu boga e não fala nada?
— É que eu pensei que você estava procurando a raiz do dente, dotor.
