Óbvio
Durante uma aula de português, onde estudavam alunos de várias classes sociais, a professora pergunta o significado da palavra óbvio.
Rapidamente, Marcílio, menino rico e cheiroso, responde:
— Pezada professora, hoje acordei bem cedo ao raiar da alva, depois de uma ótima noite de sono no conforto do meu quarto particular. Desci a enorme escadaria de nossa monumental residência e me dirigi à copa, onde era servido o café. Depois de me deliciar das mais apetitosas iguarias, fui até a janela que dá vista para o jardim de entrada e admirei aquela bela paisagem por alguns minutos, enquanto pensava como é belo viver. Virando-me um pouco, percebi que se encontrava guardado na garagem o automóvel BMW pertencente ao meu pai. Pensei com meus botões: é óbvio que meu pai foi trabalhar de Mercedes.
Celso, garoto de classe média, sem querer ficar pra trás, deu sua resposta:
— Professora, hoje eu num dormi muito bem porque meu colchão é meio duro, mas acordei pois botei meu despertador bem ao lado da minha cama pra tocar cedo. Levantei meio zonzo, comi um pão meio muximbento. Quando saí pra escola vi o Fusca do meu pai na garagem e logo pensei: é óbvio que o papai foi trabalhar de ônibus.
Embalado na conversa, Washington, de classe baixa, deu sua resposta:
— Fessora, oje eu quase num durmi purque teve tiroteio até tarde na favela. Só acordei di manhã purque tava morendo di fome, mas num tinha nada pra cumê mesmo... Quando oiei pela janela du barracão vi a vó cum um jornal di baxo du braço e pensei: é óbvio qui ela vai cagá... num sabe lê!
