O Tatá
Um dia a professora levou um bichinho para mostrar para a turma. O bichinho chamava Tatá. E ela ia mostrando:
— Olha, turma, que bonitinho que é o Tatá da tia. Vejam só: Tatá, o giz!
E o Tatá:
— Nham!
— Tatá, o apagador.
E o Tatá:
— Nham!
— Tatá, o lápis.
E o Tatá:
— Nham!
O Joãozinho ficou doido pelo Tatá.
— Tia, deixa eu levar o Tatá para casa?!
— Não, Joãozinho, o Tatá é da tia. Ele é um bichinho especial. Tem que tomar muito cuidado com ele. Não pode levar, não!
— Mas, tia, por favor... eu quero mostrar o Tatá pro meu pai. Deixa, tia. Pelo amor de Deus!
Tanto insistiu, tanto aporrinhou, que a tia acabou concordando.
— Tá bom... pode levar, mas tem que cuidar bem dele. E amanhã, traga ele inteiro pra tia, tá bom?
Ele concordou. Na saída, foi indo pelo caminho:
— Tatá, a florzinha!
E o Tatá:
— Nham!
— Tatá, a plantinha!
E o Tatá:
— Nham!
— Tatá, a pedrinha!
E o Tatá:
— Nham!
Chegou em casa e foi:
— Tatá, o celular do papai!
E o Tatá:
— Nham!
— Tatá, o fax!
E o Tatá:
— Nham!
— Tatá, o vison da mamãe!
E o Tatá:
— Nham!
— Tatá, o micro-ondas!
E o Tatá:
— Nham!
E assim foi acabando tudo dentro de casa. Quando o pai do Joãozinho chegou, viu aquela bagunça toda quebrada, falou bravo:
— Joãozinho, moleque encrenqueiro... você vai apanhar muito hoje! Olha a bagunça que você fez! Quebrou tudo!
— Mas, papai, não foi eu!
— Como que não foi você?! Olha tudo detonado em casa.
— Não foi eu não, papai... eu juro!
— Se não foi você, quem foi então?!
— Foi o Tatá.
— Que Tatá o quê?? Tatá o caralho!
E o Tatá:
— Nham!
