O ricão do cabaré
Socorro de Margarida ganhava a vida num cabaré de Campina Grande vendendo o corpo. Na cama, fazia da vida um show. Um certo dia chegou um freguês que por ela perguntou. Foi entrando e dizendo:
— Quem é Socorro de Margarida?
Uma morena nutrida se levantou e disse:
— Sou eu, amigo.
— Quanto é pra você ficar comigo?
Ela respondeu:
— É só 50 reais.
Ele aceitou sem demora. Na hora de ir embora, ele disse:
— Foi bom demais.
E deu 300 reais ao invés de dar 50.
— Amanhã eu tornarei a voltar.
Quando foi no outro dia, havia mais de vinte damas no salão. Umas olhavam, outras sorriam, querendo saber quem iria se abufelar com o ricão. E para surpresa de todas, ele escolheu Socorro, que ficou muito contente. E na hora de ir embora, quando foi efetuar o pagamento, ele perguntou:
— Quanto te devo, meu bem?
Ela foi e disse, meio desconfiada:
— Seu Zé, basta dar 100.
Ele meteu a mão no bolso de trás e tornou a lhe dar 300 reais. Ela ficou branquinha. Ele disse:
— Eu vou embora. Amanhã, na mesma hora, estarei aqui de novo.
Quando foi no outro dia, o salão estava todo enfeitado. Só que, para surpresa de todos, ele tornou a escolher Socorro. As outras mulheres ficaram todas de baixo astral, sem saber o que Socorro tinha de especial. E depois da furunfada, ele disse:
— Quanto é?
— Seu Zé, hoje basta dar 200.
Ele meteu a mão no bolso de trás e deu a ela a quantia de 400 reais. Mas ela, na dúvida, foi perguntar a ele:
— Hoje eu preciso saber: o que tem em mim que tanto lhe atrai?
— Eu sou Raimundo de Chico Inácio, querida. Venho lá de Conceição. Sua mãe vendeu lá umas galinhas, uns bodes, umas vaquinhas, pediu para lhe procurar, pagou minha passagem e, com muita coragem, mandou mil reais para eu lhe entregar.
