O galo Tito
O caipira tinha um galinheiro com cem galinhas.
Mas o galo dele tinha morrido, não aguentou tanta galinha.
Ele foi na cidade procurar um aviário. Acho.
Perguntou pro dono do aviário:
— O moço, se num tem um galo baum aí pras minha galinha? Mas ele tem que aguenta o tranco.
— Tem aquele galo ali no canto.
Um galo de terno, gravata, todo perfumado.
O caipira levou aquele mesmo.
Chegando em casa ele soltou o galo.
Não deu certo, com dez galinhas o galinho coitado já tinha morrido.
Ele voltou no aviário pra reclamar.
O dono do aviário mostrou um outro galo, um pouco mais arrojado, escutando walkman, andando de skate.
Chegando em casa o caipira soltou o galo.
Não deu certo de novo, com trinta galinhas o galo já caiu morto no chão.
O caipira foi reclamar no aviário:
— Comé qui é moço, o senhor falou que os galo era baum mas morreram rapidinhu. Que que eu faço agora?
O dono do aviário:
— Tem aquele galinho ali no canto.
Um galinho fraco, deprimido, quase morrendo coitado.
— Esse eu deixo o senhor levar de graça, o nome dele é Tito.
O caipira chegou em casa e soltou o galo.
O galinho andou todo o galinheiro,
pegou tudo conté galinha que via pela frente,
pegou as cem direto.
O caipira muito feliz trancou o galinho.
No dia seguinte o galinho pegou as cem de novo.
Como sempre o caipira trancou o galinho.
No outro dia o caipira soltou o galinho só que esqueceu de trancar ele. Quando lembrou foi lá fora.
Viu as galinha tudinhu de perna pra cima, cansada, aonde ele passava tinha um animal meio tonto, ou era uma vaca, o cachorro.
— Cadê meu galinho? disse ele todo preocupado.
De repente quando ele olha lá em cima de um morro, um bando de urubu voando em volta do galo.
Ele correu pra ver o galo.
— O meu galinho, o que aconteceu aqui, você não devia ter ido tão cedo.
E o galo:
— O seu caipira, agora que eles tavam quase descendo você chega pra atrapaiar?
