Joga pra caralho!
Estava um cidadão em um ônibus:
— Joga pra caralho! — e cuspia no chão.
— Joga pra caralho! — e cuspia no chão.
— Joga pra caralho! — e cuspia no chão.
Foi quando um daqueles cidadões de epiderme escura que não tinha altura, tinha metro quadrado, se levantou, pegou o cara pela camisa, tirou-o do chão e disse:
— O meu cupadi! Eu tô com minha família toda aqui! Para de falar essas porras dentro deste ônibus!
— Só um momentinho, cidadão. Deixe que eu lhe explico. Você joga sinuca?
— Jogo.
— Então vai ser fácil. Eu estava com um colega jogando sinuca. Eu tinha uma bola para matar. E minha bola estava na boca do canto. Ele tinha três: uma no meio, uma atravessada no meio, e uma encostada na parede do canto, lá no finalzinho. Era a vez dele jogar. Ele me disse:
— João, quer apostar que com uma tacada só, eu mato todas estas bolas?
— Hi, meu amigo. Eu aposto tudo que você quiser, minha casa, meu carro, minha mulher...
— Não, não, não! Não vamos apostar dinheiro. Quem perder chupa o pau do outro.
— Joga pra caralho! — e cuspiu no chão.
