É óbvio
Numa experiência governamental de educação, foi criada uma escola onde se recebia alunos de todas as classes sociais, do mais pobre ao mais rico.
Durante a aula de português, a professora escreveu no quadro a palavra ÓBVIO e pediu para os alunos exemplificarem o uso dessa palavra.
Mauricinho, o mais rico da sala, se prontificou logo de início:
— Professora, hoje pela manhã acordei-me com o canto dos pássaros no amplo jardim da minha mansão, levantei-me e fui até nossa ampla sala de refeições degustar um abundante café da manhã. Foi quando olhei para o nosso estacionamento e percebi que a BMW do meu pai estava lá. Aí pensei: se a BMW do meu pai está aqui, é óbvio que ele foi na sua Mercedes.
— Muito bem, Maurício. Mais alguém?
Juquinha, aluno de classe média, também se prontificou:
— Professora, hoje pela manhã me acordei com o barulho do despertador, fui pra cozinha, só tinha um pão e um copo de café. Enquanto tava engolindo, olhei para a rua e vi o fusquinha do meu pai e pensei: se o fusquinha do meu pai está aqui, é óbvio que ele saiu de ônibus.
— Muito bem, Juquinha. Mais alguém para encerrar? — perguntou.
Joãozinho, morador da favela, para não ficar por baixo, também falou:
— Fêssora, hoje me acordei bem cedinho com barulho de tiros, fui na cozinha do barraco que moro e não tinha nada para comer. Foi quando olhei pela janela e vi minha vó com um jornal debaixo do braço, donde pensei: minha vó com o jornal embaixo do braço, é óbvio que a "véia" vai cagar, porque ela não sabe ler.
