Carta de um louco para um maluco
Carta de um louco para um maluco
Era meia-noite: o sol brilhava entre as trevas de um dia claro e bonito. Um homem vestido sem roupa, com as mãos nos bolsos, estava sentado de pé numa pedra de pau à beira de um rio seco. Ele dizia:
— Eu prefiro morrer a deixar de viver.
Naquele momento, um surdo estava ouvindo um mudo falar e um aleijado corria atrás de um carro parado.
Bem longe daqui perto, um senhor moreno careca penteava seus lindos cabelos loiros.
À noite, durante o dia, senti uma apetitosa falta de comer em pratos sem alimentos. Vi peixes treinando natação num lago seco e outros se suicidando para viver.
Ao acordar dormindo, sonhei que estava dormindo; quando acordei, percebi que eu estava dormindo.
Enquanto isso, um cego disse que via passarinhos pastando e vacas pulando de galho em galho à procura de seus ninhos.
Vi então um sujeito comendo o guardanapo e limpando a boca com o bife. Assim comecei a declamar uma poesia, calando-me, diz:
— Mais vale um morto vivo do que um vivo morto.
Quando acordei com o despertador na cama, levantei-me deitado, do relógio, e me preparei para mais um dia de descanso com muito trabalho...
Que merda... 11, bá, que fezes...
