Boca fedorenta
Havia uma moça até que bonitinha, mas tinha um hálito horrível. Tão ruim que não tinha amigos nem namorados.
E na sua cidade, haveria uma festa de formatura à qual a boca de lobo queria ir.
A uma certa distância, seu pai orientou que deveria se fingir de muda e não abrir a boca pra nada.
Dia da festa, ela toda linda, só ficava esperando o primeiro Dom Juan a cantá-la. Quando um fanho chegou perto e disse:
— É ança omigu?
E ela negou:
— Hum, hum!
— A, amo aí, ança omigu.
— Hum, hum!
E de tanto insistir a moça foi dançar com o fanho, e durante a dança ele pediu:
— Mi á um eijinho?
E ela:
— Hum, hum!
— A só um eijinho!
— Hum, hum!
— A por favor...
E ela bem baixinho falou:
— Não!
O fanho disse espantado:
— Ocê eidô!
— Hum, hum!
— Eidô im!
— Hum, hum!
— Pode ala ocê eidô!
E ela já com raiva, gritou:
— N Ã O!!!
E o fanho:
— I aoia ocê ago!
