Bicho grande, tchê
O gaúcho vivia no interior com sua família e nunca tinha ido a uma cidade.
Um dia, depois de grave discussão com seu pai, ele resolveu ir embora.
Pegou seu cavalo e saiu galopando sem destino por vários dias, até que encontrou uma linha de trem.
Como ele não conhecia trem, ficou ali imaginando para que serviam aqueles dois bambus um ao lado do outro que, de tão grandes, se perdiam no horizonte.
Até que o trem apareceu tocando o seu apito.
O gaúcho, de súbito, exclamou ao ver o trem:
— Bá, tchê! Que bicho mais grande...
— Deste tamanho e gritando deste jeito eu nunca vi lá pelas terras do meu pai, não!
Quando o trem passou por ele, imediatamente o gaúcho subiu no seu cavalo, de laço na mão, e partiu atrás do bicho.
Depois de muito esforço, ele conseguiu laçar o bicho pelo pescoço e, ao travar a corda, o trem arrastou o gaúcho por uns dez quilômetros, até que o maquinista viu o que estava ocorrendo.
Depois de socorrê-lo, o maquinista colocou o gaúcho no trem e levou ele para um hospital em Porto Alegre, todo esfolado.
Depois de uns meses de tratamento, o gaúcho teve alta do hospital e saiu andando pelo centro de Porto Alegre...
— Bá, tchê! Mais que casa mais grande! (ao ver um prédio alto) O dono desta casa deve ter muitos filhos, barbaridade, tchê!
E o gaúcho continuou andando pelo centro, admirado com todas as novidades que ele estava vendo.
Até que ele chegou próximo a uma loja de departamentos onde havia uma grande aglomeração de pessoas.
Ele se aproximou para ver do que se tratava; era época de Natal e havia muitos brinquedos em exposição.
Ele foi se aproximando, afastando as pessoas, até que viu um Ferrorama em funcionamento.
Quando o gaúcho viu o trenzinho correndo e apitando, ele gritou:
— Bá, tchê!
E, pisoteando o trenzinho, foi afastado pelos populares.
— Que aconteceu, tchê! Barbaridade! Está doido?
E o gaúcho exclama:
— Barbaridade, tchê! Tem que matar este bicho enquanto tá pequeno, porque depois que ele cresce ninguém segura!
