A semelhança
Num trem do metrô, estava um rapaz sentado, o cabelo comprido, todo espetado e, além de tudo, colorido: tinha fio azul, vermelho, verde, laranja, amarelo... Enfim, uma figura ímpar, parecia uma ave emplumada.
Na frente dele, em pé, um senhor de meia-idade o encarava sem parar, com olhar de espanto, meio abobado... E isso durou um bom tempo. Primeiro o rapaz fez que não viu, mas, com o tempo, dada a insistência do coroa, o rapaz se enfezou e disse:
— Pô! Qual é, meu? Por que tanto me olha? Nunca fez uma loucura na vida, não?
— Pois é, loucura eu fiz sim, há muito tempo atrás... quando eu transei com uma arara!
E eu juro por Deus que pensei que você fosse meu filho!
