A recompensa
Um ladrão de frutas chamado Gustavo Paulino foi para o inferno depois de sua morte.
Chegando lá, o demônio lhe colocou numa sala escura onde tinha lama, bosta e mijo até o seu joelho.
Todo dia à meia-noite ele escutava na sala ao lado vozes que diziam assim:
— Olha ela, lá vem ela.
— Olha ela, lá vem ela.
E Gustavo Paulino, muito intrigado com isto, ficou muito curioso.
E todos os dias no mesmo horário escutava estas vozes.
Então pensou: lá tá cheio de mulher, por que eu escuto as vozes falando:
— Olha ela, lá vem ela.
Então ele chamou o demônio porteiro e disse:
— Eu quero ir para a sala ao lado, porque lá tem mulher.
Então o demônio lhe respondeu:
— Você não pode, pois a única coisa que você fez demais foi roubar frutas.
E todos os dias Gustavo Paulino, escutando aquelas vozes, insistia a toda hora pedindo ao demônio para ir para a sala ao lado, e o demônio sempre lhe respondia:
— Você não pode, por aqueles que estão na sala ao lado cometeram graves delitos.
Então Gustavo falou:
— Eles aprontam pra caramba na Terra e ainda têm mulheres de sobra.
Até que um dia, depois de tanta insistência, o demônio o levou para a sala ao lado.
Ele, por sua vez, todo contente, só esperando dar meia-noite para catar uma mulher pra ele.
Aí chegou a tão esperada meia-noite, e todos gritavam:
— Olha ela, lá vem ela.
E ele disse:
— E agora que eu me acabo, oh belezura.
Quando ele olhou, era lama, bosta e mijo até a altura do pescoço, e passava uma foice gigante rente à lama, bosta e mijo, e todos tinham que abaixar a cabeça na lama, bosta e mijo, senão a foice as arrancaria fora.
