A caçada do gaúcho
O gaúcho tinha um grande sonho: ir caçar na África. Alimentou o sonho a vida inteira, desde criança. Juntou dinheiro, juntou dinheiro... um dia deu certo. E lá foi ele com os amigos.
Lá chegando, os caçadores se dividiram e cada um foi para seu lado.
O gaúcho ficou o dia todo numa moita à espreita da caça. De repente, por trás, um gorilão — do tipo King-Kong — agarra-o por trás e quer porque quer enrrabar o gauchão de Pelotas. Luta daqui, luta dali, mas não teve jeito... o gorila comeu-lhe o buraquinho de saída até satisfazer seus instintos animais.
Já era noite quando nosso amigo voltou para o acampamento, acabrunhado, quieto e calado. Não disse uma palavra a ninguém. Os amigos quiseram saber o que acontecera, mas ele não disse nada. Passaram-se os dias, voltaram para o Brasil.
Preocupada com aquele silêncio do marido, sua esposa mandou chamar um seu amigo — daqueles confidentes de infância.
— Mas rapaz, essa caçada era o seu sonho e você volta desse jeito, caladão?
Depois de muita insistência, ele abre o verbo com o amigão.
— E quem ficou sabendo disso?
— Só eu, o gorila e, agora, você.
— Ahhhh, então por que essa tristeza? Fique tranquilo: em mim você pode confiar, não direi nada a ninguém, e o gorila, este não conversa mesmo.
E o gaúcho, com uma tremenda cara de tristeza:
— Esse é o problema: ele não me escreve, não manda uma carta, não telefona...
