A caça
Havia dois caipiras conversando. Um contava ao outro a caça que havia feito na semana passada.
— E compade, fui caçá na selva, ocê precisa vê, cada apuro que eu passei!!
— A compade conta logo, que eu tô doido pra sabê.
— Primeiro, eu estava embaixo de uma árvore, preparando a espingarda, quando de repente caiu uma sucuri da árvore, e ela foi se enrolando em mim. Mas como eu só um cara esperto, peguei o rabo dela e comecei a enfiar na boca dela, e ela foi se comendo, e virô uma argola!
O outro compadre, desconfiado, falou:
— Corta essa, compadre, como você quer que eu acredite numa coisa dessa?
— Ará, compadre, eu te juro. Se você achô essa perigosa, houve essa. Depois de ter enrolado a cobra, e já com a minha espingarda pronta, saí andando sorrateiramente, quando de repente surje um baita de um leão, mirei nele, compadre, e comecei a atirar, quando vi, minhas balas já tinha acabô e eu não tinha acertado nenhuma nele, mas eu queria aquele leão de qualquer jeito, larguei a espingarda no chão e fui para cima dele...
O outro compadre, já revoltado, interrompe:
— E não vai me falá que ocê conseguiu o leão?
— Uai, pulei na garganta dele, e rola pra lá, e rola pra cá, até que venci ele, compadre. Se duvida, vai lá em casa que a cabeça dele tá lá.
— Eu vou embora porque não aguento mais mentira sua, até mais, cumpadre.
— Calma, cumpadre, eu ainda não te contei a mais perigosa.
— Tá certo, mas para de menti se não eu vou embora.
— Tá certo. Depois de pegar o leão, peguei a espingarda, recarreguei, e saí andando. Logo à frente vi uma pedra, e ouvi um barulho estranho, corri, e quando cheguei, eu vi, compadre, uma baita de um urso polar, larguei a espingarda, corri e peguei nas duas orelhas dele e...
— Deus que me livre, como ocê quer que eu acredite nisso, um urso polar na selva...
— Então, compadre, eu corri, peguei nas duas orelhas dele e falei:
— O que que ocê tá fazendo aqui?
