Naufrágio
O gaúcho era o único sobrevivente de um pequeno naufrágio.
Não sabia nadar muito bem e estava se afogando. Passa um barco com um paulista dentro. O gaúcho pede socorro. O paulista diz:
— Só te salvo se liberar o rabinho, meu!
— Bah, tchê! Bumbum que mamãe passou talquinho com todo amor e carinho. Nem pensar, tchê. Sou macho!
Dito isso, o paulista desiste de ajudá-lo. Já quase sem forças, o gaúcho vê aproximar-se outro barco. Desta vez com um paranaense na direção, que também impõe a condição:
— Daí, gaúcho. Só te ajudo se você sentar o rabo na minha mandioca.
Mais uma vez o gaúcho reclama:
— Bah, tchê! Bumbum que mamãe passou talquinho com todo amor e carinho. Nem pensar, tchê. Sou macho! Vou esperar um outro barco, ainda tenho um pouquinho mais de força para tentar não afundar.
Depois de algum tempo, nada de barco. O gaúcho vai cansando. Outro tanto depois e nada. Muito tempo depois, o gaúcho está que já não aguenta mais.
Já só com o nariz de fora d'água, ele avista um barco. Teve um pouquinho mais de força e gritou por socorro. Aproxima-se o barco conduzido por um catarinense. Já completamente desesperado, o gaúcho de imediato fala:
— Me ajuda, por favor, tchê, que te dou até o meu cú.
O catarinense olha para ele e, pegando em seus cabelos, diz:
— Ói, ói, ói. Além de gaúcho é viado!
E o afunda.
