Caçando tatu-peba
Num belo dia, o compadre Zé quis apostar com o compadre Mané quem iria conseguir caçar mais tatu-peba.
O compadre Mané topou e disse:
— Intão tá, mais vai ter que ser amanhã cedinho, às 7h da manhã.
O compadre Zé fala:
— Combinado intão, compadre Mané, às 7h da manhã vamos caçar.
No outro dia, às 7h em ponto, os dois se encontram, cada um escolhe o seu rumo e partem para a caçada.
Próximo de escurecer, o cumpadre Zé chega com um carro de boi, com 63 tatu-peba.
Em seguida vem chegando o cumpadre Mané, com uma pampinha, e ele descarregou 221 tatu-peba.
O cumpadre Zé ficou doido e perguntou ao cumpadre Mané:
— O cumpadre, como ôce cunsiguiu caçar tudo isso?
O cumpadre Mané responde:
— Ora, eu chegava na toca dos tatu-peba, colocava a manguerinha do butijão de gais e ligava. Os tatu-pebas ficavam todos tontos e saim da toca.
O cumpadre Zé ficou doido com a história e, indignado, disse ao outro cumpadre:
— Ora, com gais não vale não, e eu quero outra disputa. Topa, cumpadre? Mas não vai poder usar gais!
O cumpadre Mané responde:
— Intão tá combinado, e eu não vou usar gais.
No outro dia, no mesmo lugar, os dois se encontram novamente, mas o cumpadre Mané estava com uma caixinha. E o cumpadre Zé, curioso, pergunta:
— O cumpadre, o que tá levando aí na caixinha?
— É o que vou utilizar para caçar os tatu-pebas.
Depois da resposta firme, os dois pegaram cada um o seu rumo e foram à caça.
No fim do dia, o cumpadre Zé chega com um caminhão Mercedes Benz 1313, com 1231 tatu-pebas, e ele já tava contando vitória. Mas, de repente, ele escuta um som de uma carreta, e não é que é o cumpadre Mané, ochê.
O cumpadre Mané encosta a carreta Volvo e descarrega 3451 tatu-pebas.
O cumpadre Zé ficou louco e começou a insinuar que o cumpadre Mané tinha usado gais de novo. E pediu uma explicação ao cumpadre Mané.
O cumpadre Mané, muito alegre, disse:
— É o seguinte, cumpadre, naquela caixinha eu estava levando um sininho. E quando eu chegava nos buracos dos tatu-pebas eu fazia o seguinte:
Dim, dim, dim...
Oia o gais...
E aí os tatu-pebas saíam todos da toca, assustados com medo do gais, e eu pegava todos.
