Azul cruz
Joãzinho estava preocupado com a prova oral que teria na escola sobre cores e, chegando em casa, perguntou para o pai uma cor para poder tirar 10:
— Papai, me fala uma cor para a prova de amanhã.
— Ah, filho, fala amarelo.
— Ah, não, pai, amarelo já tá muito manjado, todo mundo vai falar, diz outra aí.
— Fala azul cruz, então.
— Valeu, pai, essa eu nunca tinha ouvido!!
E o Joãozinho ficou o dia inteiro repetindo a tal cor para não esquecer: no almoço, no lanche, na janta, até no sonho ele estava repetindo a bendita cor. No dia seguinte, na escola, a professora começou a prova por fileira, e o Joãozinho era o último:
— Mariazinha, qual a cor que você escolheu?
— Rosa, professora.
— Muito bem, nota dez.
E assim foi seguindo, lembrando que Joãozinho estava repetindo em voz baixa a cor que seu pai havia lhe falado.
A professora foi dando continuidade na prova até que chegou no Eduardo, um pretinho que sentava na frente do Joãozinho:
— Eduardo, fale uma cor.
— Azul cruz, "fessora".
Nessa hora Joãozinho ficou paralisado, sem reação, até que a professora interrompeu:
— Joãozinho, agora fale a sua cor.
— PRETO FILHO DA PUTA!!!!
